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Nas últimas décadas, a criminalidade feminina tem sido analisada a partir de perspetivas que integram fatores sociais, psicológicos e relacionais. Entre as diversas tipologias de crime, as mulheres condenadas pelo crime de homicídio constituem um grupo complexo, cujas vivências refletem vulnerabilidades sociais, desafios de saúde mental e responsabilidades penais. O arrependimento, conceptualizado como uma emoção moral transformadora, assume um papel central nos processos de reabilitação e reinserção social. Contudo, persistem lacunas na literatura, nomeadamente a escassez de estudos que abordem fatores emocionais e a ausência de programas de reabilitação sensíveis ao género que integrem o arrependimento como elemento central. A presente investigação, de carácter qualitativo, tem como objetivo compreender a perceção de mulheres condenadas pelo crime de homicídio acerca do papel do arrependimento nos processos de reabilitação e reinserção social. Para tal, foram realizadas entrevistas semiestruturadas a oito mulheres de um Estabelecimento Prisional da Região Norte de Portugal. A partir da análise temática, os dados revelam que o arrependimento constitui uma emoção moral fundamental no processo de reclusão, promovendo mudança, responsabilização e reconstrução identitária. É também percecionado como um facilitador da reflexão sobre o
crime e da adoção de comportamentos pró-sociais, sendo o trabalho, a educação e a religiosidade elementos de equilíbrio e preparação para a vida em liberdade.
Descrição
Palavras-chave
Arrependimento Reabilitação Reinserção
